A Mulher que Não Entendia a Vida

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Já passava das duas da tarde para Madalena ainda estar sentada no sofá esperando a sua vida passar. Madalena era daquelas mulheres que enquanto não estava completamente contenta, parava e aguardava as coisas acontecerem. Era a típica acomodada. Durante aquela tarde em que passava horas sentada no sofá, Madalena resolveu ligar a televisão. Já era um progresso para alguém tão acomodado como ela. Enquanto trocava de canal simultaneamente, resolveu prestar atenção numa imagem em que só aparecia chuva, barulho de chuva, e mensagens. Era um canal daqueles “pseudo-internos”, onde tudo o que era passado era de autoajuda. Parada no sofá, acomodada com a vida, Madalena encontrou algo em uma das frases que ela ainda não sabia que existia: “Dizem que a mulher é o sexo frágil, e isso é a maior de todas as mentiras. É com certeza a mais absurda. Dizem tanto sobre elas que elas mesmo nem sempre lembram quem são elas.” Madalena realmente ficou intrigada com aquilo que estava lendo.
Ela parou, continuou sentada e não prestou mais atenção na TV, se focou nela mesma. Começou a pensar no José (rapaz que conhecera na faculdade, mas que já não saiam mais), pensou na sua mãe (Dona Clarinda), no seu Tio Eli e no seu avô Celso. Lembrou também de umas amigas (Clara e Fabi). Até que ela se deu conta de que estava sendo tonta sentada naquele sofá esperando a sua vida passar. Madalena percebeu que quanto mais ela procurava buscar objetivos planejados sem qualquer compromisso consigo mesma, ela só enumerava uma lista de um a mil. Ela viu o quanto isso não influenciava diretamente nela, mas sim nas atitudes em que ela vinha tomando. E isso já fazia tempo que acontecia.
Arrependida de não ter acordado para vida antes, Madalena agora procurava buscar em si uma maneira de encontrar quem ela havia perdido dentro dela mesma. Uma maneira não tão óbvia, mas completamente certa em buscar o seu “eu interior”.
Disposta a encontrar partes daquilo que compunha ela mesma, Madalena finalmente tomou a iniciativa e levantou-se do sofá. Ela não foi nem ao banheiro, foi direto buscar um lápis e um caderninho, justamente para começar a pontuar aquilo em que ela precisava se encontrar. Certa de que a partir daquele momento, escrevendo quem ela era, encontrando falhas e arrumando deixas, Madalena já não era mais a mesma mulher. Ela agora procurava um sentido na vida, na sua vida. Ela inclusive se deu conta de que o universo era enorme, e que dentro dele ela era só mais uma centelha daquilo que o compõe. Sem se diminuir, buscando não se culpar, Madalena agora se pegava rindo quando lembrava daquela mulher acomodada que nem levantar do sofá levantava. Estava ansiosa para os próximos dias, porque decidida ela estava de não mais ficar observando os outros fazerem aquilo que eles não faziam, contrariando todas as suas vontades e seguindo o fluxo normal daquilo que se é considerado por vida. Madalena se arrependeu, mas também se encontrou. Agora ela era realmente uma nova mulher, de mente mais centrada e de coração mais aberto: Madalena finalmente se amou.

por Matheus Rocca Vecchio Almeida

6 Comentários

  1. Muito lindo Matheus! Não mudaria uma vírgula! Está incrível, e diz tanta coisa! É um daqueles textos que a gente encontra ao acaso no exato momento que precisamos e só nos resta dizer: “eu precisava ler isso!”. É de se reconhecer, é de inspirar e refletir! Adorei!!

    1. Puxa Isadora, muito obrigado por este teu carinho gata!!!
      Fico muito lisonjeado com as tuas palavras, e espero que as minhas possam continuar te tocando assim.
      Um grande beijo querida.

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