Permita-me Permitir?

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Já faz algum tempo desde que não beijo alguém, que não toco outro corpo e que não me envolvo em mais alguma loucura de amor. São incontáveis as inconstâncias que já vivi, e o quanto todas elas foram instáveis para mim. O tempo às vezes parece perder a força do seu poder curador, mas é completamente sensato na hora de nos fazer enxergar uma vida que muitas vezes já não volta mais. Marina Abramovic ao encontrar um amor do passado, parou por um minuto de silêncio. Ninguém ousou intervir, ninguém sabia o que se passava no olhar dos dois. Tudo o que sabíamos era que o tempo havia passado, e que agora as dores de antes já não incomodavam mais, porque a valia que tinha, se perdeu no meio do caminho. O tempo tem essa vantagem, simplesmente nos faz acordar para novos momentos e nos dá condições para esquecermos as velhas dores do passado.

Foram algumas noites mal dormidas, ansiosas pelo que poderia vir. Sem ao menos eu ter a mínima certeza do certo. Mas aí, um dia, eu aprendi que as coisas não funcionam no meu tempo, mas no tempo em que elas tem de acontecerem. O ser humano tem esse mal, acha que manda nas coisas, quando nem mesmo ele se dá conta de que não manda em si, o que dirá ter o poder de controlar aquilo que está a sua volta. A gente sempre pensa que tem o poder, e às vezes, cá entre nós, tudo conspira como se fosse. Mas essas são as maiores provas. Provas de que o homem ainda é muito mundano, muito solitário e muito inconstante.
65641_589724221052416_2067156240_nDe repente, um dia, a gente aprende que o que vale é justamente não valer nada. Rótulos e mais rótulos só rotulam aquilo que não precisa ter nome ou classificação. A gente se descobre, a gente precisa se descobrir. Ninguém tem a força que eu tenho, e ninguém precisa ter. Por isso, a rotulação não liberta, ela aprisiona. E a gente vive enjaulado dentro dos rótulos que criamos. Infelizmente, ainda não sabemos criar todas as chaves da liberdade, mas ousamos mesmo assim em experimentá-las. Chega a ser bizarro acreditar nisso, só que quanto mais a vida demonstra ser nostálgica, mais aprendemos que tudo tem o seu valor, e que mesmo na dor, nada é para sempre. Nem mesmo ela, que machuca tanto e nos faz sofrer, mas é fraca e inconsistente, porque não é eterna. A dor mata, mas mata porque o suicida permite. E tudo, tudo mesmo, só acontece porque nós permitimos que aconteça.

Agora você já sabe que tem o poder, o poder de revolucionar a sua vida. Talvez de aplicar as suas vivências no olhar do outro, no ouvido do outro, nos lábios de alguém. Talvez você exprima a sua solidão num copo de uísque. Talvez nada disso seja necessário, porque o necessário é você estar de bem com você mesmo. Nunca mais deixe que algo ou alguém mude o seu estado de interação. Interaja consigo, e permita que as experiências aconteçam na hora em que elas tiverem que acontecer. Sem medo, sem receio, sem ousar, apenas permitindo. Agora vai lá, permita-se.

por Matheus Rocca Vecchio Almeida

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