Papo It com o Turco Louco da Cavalera

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O meu convidado de hoje é uma pessoa cujo respeito pelo próximo o fizeram ser quem ele realmente é. De origem humilde, com a criatividade insanamente a postos, tendo a certeza de que a diferença ele pode fazer, Turco Louco é o turco menos louco que eu já conheci. Talvez a sua “loucura” tenho sido oriunda da diferença que ele sabe fazer na sociedade. Hoje eu converso com o empresário e estilista da Cavalera, Alberto Hiar. 

Alberto, conta para gente como é o processo de criatividade da Cavalera quanto aos projetos sociais?

A: Na verdade para mim foi quase como resgatar a história da minha família, da minha vida, eu sou descendente de libanês e a cultura islâmica apesar de não ser a minha, sempre esteve muito presente na nossa vida, e eu senti muito essa vontade de estar visitando todos esses países e trazer o Islã como proposta para essa coleção. Se você observar as peças apresentadas no desfile, verás que todas trazem as referências dessa cultura e era isso que a gente queria mostrar, que a diversidade faz a diferença. E eu to feliz de poder estar realizando este trabalho numa coleção de inverno, onde pude misturar à essas referências elementos mais modernos.

E como funciona esse teu processo criativo com as coleções todas?

A: Bem, o meu processo criativo ele vai tendo insights, você vai sentindo cheiros, você vai sentindo sensações que vão acontecendo no seu dia-a-dia, as coisas vão acontecendo e você termina uma coleção e já está pensando na próxima. Sem querer, as coisas que você acredita que são legais acabam aparecendo na sua frente, você vai fazendo mais essa busca e quando você percebe isso, acaba por amarrar tudo junto. É importante você também ter uma equipe afinada com essa proposta, eu acho inclusive que é mais importante ainda saber que a partir do momento que nós construimos uma equipe sem vaidade, você consegue atingir resultados maravilhosos com isso. Nas últimas coleções, por exemplo, eu percebi isso.

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Eu quero que tu nos conte qual a tua visão da moda no Brasil com relação as fast fashions?

A: Olha, para mim eu não vejo problema nenhum das fast fashions na moda. A gente tem um trabalho autoral, tem uma equipe de criação, fazemos moda brasileira. Já o trabalho da fast fashion ele sempre existiu, porque os magazines sempre existiram e eles sempre tentaram fazer moda. A diferença é que nós temos que tentar ser só mais competentes, mais rápidos, procurar entender qual a regra do jogo. Isso é no mundo inteiro e não pensem que aqui no Brasil as coisas não vão ser diferentes.

Eu gostaria muito que tu desse alguma dica para os rapazes que querem entrar no mercado da moda, que sonham em serem estilistas, que almejam construir uma marca com um empenho social assim como o que a Cavalera representa, que dica tu poderia passar para eles?

A: Eu sempre falo que o importante é abrir o leque. Porque quando você fala que quer ser estilista, o meu medo é você só pegar o lado glamouroso que talvez ele ache que o estilismo tem e acabe esquecendo todo o trabalho que existe para desenvolver a coleção, e o resultado que ele tem que ter em relação ao seu trabalho. Por isso, quando você abre o leque, eu acho que é sempre importante você fazer um trabalho de 360 graus, entendendo toda a cadeia do mercado, todas as possibilidades que ele pode exercer e atuar para que ele possa ter o conhecimento pleno sobre o trabalho que ele pode depois executar. Para ser estilista, ele tem que entender de produto, de operação, tem que entender de vendas, tem que saber de logística, ele precisa saber de quase tudo… Aí depois você pode entrar no processo de criação, porque o que você vai fazer e o que você mais quer é vender o teu produto. Portanto, você não vai estar fazendo para você usar, você está criando tudo isso para vender e quando você fala isso, você realmente precisa conhecer todos os processos, porque se não, você fica limitado na questão da criação e acaba esquecendo as outras cadeias, não valorizando o trabalho dos outros. Assim você acaba querendo que as pessoas só valorizem o seu trabalho. Então para mim, fazer esses 360 graus e abrir o leque é muito importante para o resultado de criação.

10335877_705949026127851_1207033525_n10331703_705949452794475_1773541369_n Puxa, que interessante isso! Eu gostaria que tu desse um recado para o povo brasileiro, em especial, para esses jovens que escutam o que a Cavalera tem para dizer de cunho político, social, filosófico e ético.

A: Nós acabamos de lançar um manifesto que ganhou o Brasil inteiro, a gente lançou na última edição do São Paulo Fashion Week que é o AQUI JAZ, onde queremos mostrar que as pessoas não precisam ganhar uma cruz. Não, sabe? Cada um pode desenhar uma cruz que acha que tem que ser enterrada e mostrar para a sociedade, para classe política, que ta todo mundo indignado. Porque o grande erro da classe política é que ela foi eleita pelo povo, e se alguma daquelas pessoas que estão lá estão roubando, são ladrões, de certa forma a gente também é, porque nós acabamos elegendo quem está lá. Então o principal ideal é que se “eles” erram, é porque você permitiu, você deu a chave do cofre para que eles pudessem roubar. Você entregou o ouro para o bandido, e é o que eu falo, as pessoas não se aprofundam no que é importante para a sociedade, elas acham que votar numa pessoa qualquer, sem conhecer o que é o Legislativo, o Executivo e o Judiciário, acabam participando da política. Mas não, e mesmo que você não esteja indo para as ruas, mas de uma certa maneira está manifestando o que acreditas ser o correto, sem criticar o outro porque isso não vai te acrescentar em nada isso, todo mundo quer um Brasil melhor e assim vai poderemos conquistá-lo, mas para isso precisamos fazer a diferença! Outra verdade é que existem muitas guerras de interesse e isso é o que acaba manipulando a população. Sabe Matheus, eu fui deputado por 8 anos, vereador, eu senti isso. Então assim, o brasileiro é um povo lindo, um povo amigável, a gente tem culturas maravilhosas, tem um país que é quase um continente e está sendo estragado porque parte da população se absteve de política. E política é que nem moda, se você não gosta de política, você é governado por quem gosta, se você sabe escolher a marca que você quer, a cor que você gosta, você também tem que saber escolher quem serão os governantes que vão estar te representando.

Ufa! Que aula de cidadania e empreendedorismo né? O cara é o “cara” mesmo! Não tenho nem palavras para agradecer a gentileza dele, e em especial, pelo equívoco da confusão que eu fiz. Sabe aquelas pessoas que são queridas de alma, gente do bem mesmo? Alberto Hiar é assim. O bate-papo para quem ficou curioso em saber quando ocorreu, ele foi realizado no coquetail pós desfile da Cavalera no Donna Fashion Iguatemi 2014 POA.

O que vocês acharam? Eu amei!

Fotos por Enrico Roemmler

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