Diga Não Ao Bullying

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Eu sempre gostei de cinema europeu, mas essa semana eu assisti a uma produção holandesa sensacional, chamada Um Grito de Socorro.

Bullying, desde o momento em que aprendi a sua real intenção, é algo que realmente me incomoda muito. Me lembro que durante a escola eu sofria bastante com ele, principalmente durante o ensino fundamental. Nunca fui do tipo de guri que pertencesse ao senso comum. Eu já me diferenciava no meio recluso que costumava frequentar. A minha vantagem, sem envaidecimento algum, é que sempre fui despojado. Eu era cara de pau e corajoso mesmo. Aprendi, no meio de vários apelidos e olhares atravessados, que eu também era o espelho de muitos daqueles meninos e meninas que insistiam em serem desagradáveis com os outros e comigo. Conheci, nesses intervalos inoportunos, muita gente legal, pessoas que pensavam como eu, que realmente eram como eu. Porém, também conheci outras muitas que optaram em não reagirem as ofensas que lhes eram ditas, e por isso, optavam em engoli-las sempre calados. Eu mesmo engoli por um certo tempo tudo aquilo que me diziam, calado. Perdi as contas com o tempo de quantas vezes mandei um “fulaninho ninguém” pastar, por ele simplesmente achar que tinha o direito de magoar ou de implicar com alguém. Eu era meio durão, meio maria-mole. Mas era aí, nessas situações, que eu já era sabido de mim o suficiente para perceber que ninguém tinha o direito de magoar ninguém, incluindo eu mesmo.


Percebi com o passar dos anos, principalmente quando adentrei o ensino médio, que a maturidade pouco a pouco era construída, que ela tinha o poder de transformar as pessoas. Pelo menos eu procuro acreditar nisso. Creio que a diferença, – e isso é uma atenção de casa que eu sempre recebi em forma de apoio e cuidado dos meus pais para comigo – era com relação ao tratamento que deveríamos ter com os demais a nossa volta. Eu aprendi que ninguém tinha culpa dos meus problemas em casa ou quais fossem eles. Ninguém deveria saber se eu tinha ou não o que comer, assim como eu não sabia o que acontecia na casa dos outros. Isso me fez perceber que as pessoas, por mais nervosas que possam estar, têm o dever de saberem lidar com aqueles que não tem nada haver com os seus problemas. Infelizmente, nem todos souberam ou sabem disso. Estas pessoas, na maioria das vezes, se enrustiam dentro de si próprias com o medo do mundo aqui de fora, temendo que ele talvez fosse pensar alguma situação sobre a vida delas. Numa farsa incontida, elas ainda insistiam em descontar em quem nada tinha haver com as suas limitações, sendo totalmente injustos com aqueles que sofriam de tais agressões.

Sei que cada adolescente procura tratar à sua maneira os seus problemas, sejam eles quais forem. Sei muito bem como o primeiro beijo, a primeira transa, a primeira briga, as primeiras festas, as notas baixas ou as notas muito altas, podem ser motivos para conflituar as nossas cabeças e chacoalhar todas as nossas emoções.

Assistindo ao filme que comentei ainda antes, pude me dar conta da voz que eu, Matheus, posso ter. Isso, independente de quantos jovenzinhos eu possa atingir, tenho como vantagem estar na internet, assim como vocês, que podem consumir e reproduzir informação constantemente. Portanto, eu precisava compartilhar esta minha experiência, justamente por saber que há muitos que se calam ou que se escondem (sejam eles os agressores ou as suas vítimas) e que ainda assim, existe um material feito com a sensibilidade e com a excelência de abordarem temáticas como o bullying, a qual pode criar vínculos com a depressão, com às doenças endócrinas, entre tantas outras que só quem realmente passa por elas é que pode nos assegurar com segurança o quão importante é evitar este mal.

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Comecei um site muito cedo, aos 15 anos. Hoje, com 18, ele felizmente vem rendendo pouco a pouco uma certa visibilidade e aceitação que chegou a tomar rumos internacionais, me fazendo compreender as condições necessárias que a exposição online me exige. Sei também, que essa foi uma das minhas “terapias” ou “fuga” construída inicialmente naquele mundinho chato que eram as escolas por onde passei. Vejam bem, a escola (seja ela qual fosse) era para ser um “escape de aproveitamento”, uma maneira de valorizar o profissional que havia dentro daquele cara que acreditava poder mudar o mundo (e que ainda mora dentro de mim), de uma forma preparatória, disciplinar, mas ainda assim, humanizada com o mundo. Sinto que na maior parte da minha vida escolar eu consegui aproveitá-la satisfatoriamente bem, pois fiz amizades incríveis, conheci profissionais geniais, fui e participei de situações/eventos/oportunidades que ficaram marcadas na minha memória e que quero levar comigo por muito tempo. Porém, essa é a minha história. História de um menino que teve coragem de mandar um idiota qualquer para bem longe, seja por ele ter me xingado por eu ser como sou, seja por ter tido coragem e não medo na hora de me vestir do jeitinho que eu me visto, seja por ter tido coragem em perguntar em todas as aulas tudo aquilo que eu não sabia e queria aprender caso tivesse alguma dúvida/dificuldade, seja por ter tido coragem de querer ser um alguém melhor todos os dias. Infelizmente, nem todos os jovens conseguem pensar assim. Me lembro de haver, ainda que na fase final da escola, muitas pessoas que insistiam em serem desagradáveis umas com as outras, e isso era um saco ter de encará-las todos os dias.

Aprendi, no meio dessas situações que o mundo é muito maior do que a escola, do que o trabalho onde você trabalha, do que o seu universozinho. O mundo é tão grande que ele grita ansiosamente por ti, dentro dele. Essa é a melhor mensagem que eu poderia dividir com vocês, uma vez que nada é duradouro o suficiente em nossas vidas se não soubermos acreditar em quem realmente somos. Ah, e eu não poderia deixar de pedir aos professores que me acompanham, de maneira encarecida, que evitem fazerem qualquer piadinha infame, qualquer comentário chato ou desagradável (alegando muitas vezes ser apenas uma brincadeira, que no fundo, a gente sabe que não é). As palavras podem magoar as pessoas, pois elas possuem energia, e por mais que eu detestasse física nos tempos do colégio, a gente aprende com ela que energia tem condições suficientes de impactar qualquer coisa e por isso, ela pode nos atingir sim (ainda mais se não estivermos seguros de nós mesmos)!

Sei que um discurso para os outros é sempre mais bonito e exemplar, mas agora precisamos colocá-lo em prática. #DigaNãoAoBullying #SemBullying #BullyingNão

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