O que está acontecendo com as grandes Casas da Moda?

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Já faz algum tempo que eu tenho me questionado o que está acontecendo com as grandes Maisons (que em francês significa casa) da moda?

Não é uma crítica construtiva ou destrutiva, antes de mais nada. É apenas um questionamento pontual sobre uma percepção minha do cenário da moda internacional, que inclusive, inclui o Brasil.

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Desde que Ricardo Tisci assumiu a Givenchy, a marca tornou-se extremamente mais cool e desejada por todos aqueles que gostam da sobriedade inteligente e descolada, motivos que hoje se tornaram os carros chefes da grande Maison (que por um certo tempo esteve até “esquecida” no grande mercado). Com Maria Grazia e Pierpaolo pilotando a Valentino, a história também não foi diferente. Acontece que mesmo com o fundador ainda vivo, a marca precisou se reinventar e apostar numa dupla que fosse capaz de resgatar o grande sucesso comercial um tanto apagado nos últimos anos.

Já em casos como o da Kenzo e da (hoje conhecida como) Saint Laurent Paris, a necessidade em se tornarem mais comerciais para atraírem um novo legado de adeptos ao estilo da marca, foi preciso para que as suas portas não fechassem ou no caso da YSL, ficassem eternizadas apenas pelo uso das avós. Dior e Chanel também foram fundamentais ao mercado quando adaptaram o casual de um modo mais chic, e mesmo não envolvendo tanto a questão dos estilistas, ainda sim o futuro delas parece ser uma incógnita quando apostam cada vez mais em desfiles e peças de roupa/acessórios megalomaníacos.

Estou trazendo estes relatos pois tenho pensado para que lado a moda irá seguir no sentido de continuidade (mesmo entendendo que ela nunca seguiu este tipo de percurso, pois alterou-se conforme aquilo que viu-se necessário)? Quando novos estilistas são lançados, muito se escuta falar das suas potencialidades, sejam elas negativas ou não. Mas em alguns casos, a exaltação parece ser a solução para tornar a marca mais comercial e então apostar no novo. Moschino, com Jeremy Scott agora no comando, parece ser o exemplo mais notável disso que estou falando. A marca antes forte, mas um pouco apagada em relação as maiores que também competiam diretamente com ela, hoje torna-se adepta a um humorismo que particularmente não me agrada, mas tem sustentado o Street Style e os cofres da empresa. É aí onde começam as minhas interrogações: se o Street Style tem aderido ao sucesso de Jeremy Scott como exemplo, será que a moda vai encabeçar um humorismo ríspido e sem conexão com o grande passado dessas marcas citadas? Ou será que as coisas não vão durar tanto para marcas que resolverem aderir à estas novidades antes negadas?

Como eu não tenho bola de cristal não consigo me responder. Mas consigo chamar a atenção para esses mesmos pontos abordados, agora direcionados ao Brasil. Marcas como Rui Spohr, Denner, Clodovil, Zuzu Angel entre tantos outros que hoje já se tornaram parte esquecida do currículo escolar de muitas escolas de moda brasileiras, será que não mereciam uma repaginada com força total como essas outras grandes casas internacionais estão recebendo?

Quem será o próximo Rui Spohr? Quem tem condições hoje para atualizar o legado que Clodovil criou no Brasil? Existe alguém capaz de vender como Zuzu Angel vendeu? São incógnitas que pouca gente levanta, mas que sinceramente, deveríamos pensar. E digo mais: deveríamos não esquecer o legado sócio-cultural que estes estilistas trouxeram para a moda brasileira. Sei que hoje no país existem muitos estilistas incríveis e que vendem como água aqui e no exterior. Mas essas “casas da moda” daqui, deveriam terem mais atenção para o seus legados.

Hoje a criatividade online nos permite chegar a tudo aquilo que desejamos… Portanto, torço para que se algum dia alguém resolver acreditar nessas marcas, que seja consciente e preciso como Ricardo Tisci vem fazendo com a Givenchy, ou como Maria Grazia e Pierpaolo fazem com a Valentino.

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