Moda Não Tem Gênero

0 Flares Twitter 0 Facebook 0 LinkedIn 0 Filament.io 0 Flares ×

Nunca fui fã da androgenia no meu estilo, muito pelo contrário, sempre tive a característica masculina muito presente dentro de mim e conseqüentemente, dentro do modo de me vestir. Acontece que compreender que a androgenia definida como algo entre não saber se é masculino ou feminino, para mim é extremamente certeiro quando percebermos que definir gênero já é coisa do passado e nada positivo para conseguirmos como sociedade seguir à um futuro.

O que quero dizer é que definir como “certo” ou “errado” dentro da moda não vale de nada. Antes de tudo, moda é comportamento, moda é ciência, moda é política, moda é cultura. Assim como moda também é beleza, é estilo e é convicção. Entendo também que na moda não existem aceleradores ou freios diante do tempo, por isso, acreditar que existem um sexo masculino e um sexo feminino como características de consumo é o mesmo que voltarmos a escrever em rochas como faziam os homens das cavernas.

Tenho estudado muito que há uma nova perspectiva de consumo no mercado mundial, onde cada vez mais tem sido abordado o uso de um único sexo para ambos os gêneros sexuais. O mais legal é que a linha de conexão entre essas histórias é vista a partir do respeito, ou seja, frequentar um mesmo banheiro para ambos os sexos, vestir a mesma roupa, pagarem e ganharem o mesmo dinheiro… Essas e tantas outras igualdades são as apostas para uma nova sociedade futura. Grandes marcas como H&M, estão começando a propor um único setor em algumas de suas lojas, descaracterizando a imagem masculina e feminina do consumidor, entregando assim, um produto. Simples, mas muito desafiador, a ideia de que meninos possam usar saias, vestidos e até bodys (antigos collants), é algo que cada vez mais tem sido apostado por grandes ídolos da música, das artes e do cinema. Mérito de nomes como Ricardo Tisci, Hedi Slimane entre tantos outros designers que se propuseram a acreditar numa nova silhueta, num novo traço, num novo corpo, num novo olhar para a já cansada visão de moda.

Observo que cada vez mais modelos com a característica andrógena tem estado presentes nas passarelas e em alguns dos principais editoriais de moda do mundo, o que traduz-se como apoio a igualdade de gênero. Gosto da beleza feminina e da beleza masculina bem marcadas, realmente acho lindo. Mas acredito que se começarmos a descaracterizar essa ideia da distinção, certamente compreenderemos a importância do apoio a transfobia, a homofobia, ao racismo, ao xenofobismo e a todos os demais tipos de preconceito.

Essa semana encontrei na rua uma menina que eu nunca havia visto na vida e ela tão pouco sabia da minha existência, o que não me impediu de aborda-la e juntos percebermos que estávamos com o mesmo corte de cabelo em cores distintas (eu com o preto e ela com o loiro). Disse para ela que “aquilo” era demais, pois o fato de eu ser menino e ela menina e ambos estarmos com o mesmo corte de cabelo não nos definia em nada, permitindo apenas sermos quem somos. Ela adorou entender que moda não tem gênero e juntos fizemos uma foto bem legal para esse dia que se tornou tão especial.

DesktopEu e a @soluizaso com o mesmo corte de cabelo!!!!

Sinceramente, eu me adoro do jeitinho que eu sou. Foi um trabalho árduo que ainda perdura de muito auto-amor e auto-conhecimento. Mas, como dizem que mudamos e aprendemos a todo instante, eu certamente me incluo nessa. O lado bom disso tudo? Bem, o lado bom é poder reconhecer que se fazíamos ontem algo equivocado, hoje podemos fazer diferente apostando no certo. Ainda não tenho vontade em usar vestidos ou saias, gosto de manter dentro do meu estilo aquilo que me faz ser quem eu sou. Se vou estar com barba ou sem barba, de bigode ou não, eu não quero é morrer com a ilusão de que vivi a vida que queriam que eu vivesse. Sejamos nós mesmos e respeitemos a todos.

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *