Despedidas

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Todos os dias quando acordo, automaticamente me lembro que preciso correr contra o tempo para continuar impulsionando as “coisas” a darem certo. É quase que automático, uma vez que é tão intríseco dentro de mim essa grande vontade em “dar certo”.

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Encontrei a pouco tempo um Matheus tão amendrotado e tão reconfortado, que não me reconheci no espelho. Me olhei intimamente várias vezes e não me reconheci. Quis me encontrar, quis me perder ainda mais para ver se achava um caminho de volta e, eu não achei. A história, dessa vez, não é sobre o fundo do poço, na verdade ela é sobre encontrar a si mesmo.

Percebi que a vida da gente é feita de chegadas e partidas, de beijos, cheiros, pessoas, sentimentos e tudo aquilo que nos contempla. Descobri que as pessoas das nossas vidas não são eternas, elas chegam e passam por nós assim como os bens materiais que nos cercam. Tudo um dia vira pó, mesmo tendo valia, mesmo tendo sido verdade. Entendi que nós somos acumuladores de sentimentos, de emoções e principalmente: de pensamentos. Acumulamos também os nossos medos, anseios, vitórias e desejos. Acumulamos tudo e todos sempre que podemos.

Foi então, quase que sem querer, num tropeço diário comigo mesmo, que eu compreendi: estava na hora de me despedir. Eu precisei me desvencilhar de emoções, de pessoas, de energias e de tudo aquilo que de alguma forma, sem eu ter consciência plena, eu ainda carregava comigo.

Maturei a ideia e assimilei que na verdade nos despedimos sempre, a todo instante, de tudo e de todos. Somos voláteis nas vidas alheias e arraigados em momentos. Plantamos sonhos e colhemos eles, muitas vezes realizados, muitas vezes frustrados.

Foi assim, que o maior ditado da minha vida fez sentido: “pontes queimadas, são pontes passadas”. Desta forma ficou claro para mim: eu jamais encontraria o meu caminho de volta se hoje, neste momento, eu já sou um outro Matheus.

Portanto, eu me despedi daquele que um dia eu fora, grato por tudo e por todos, mas instigado a conhecer quem eu agora serei.

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