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Quando pensamos em Escravidão logo nos remetemos ao período onde a princesa Isabel assinou a Lei Áurea, abolindo a escravatura do Brasil e assim, erradicando-a do planeta. Mas estamos enganados. O regime escravista ainda é muito presente no mundo todo, por isso, acredito ser interessante explicar o significado segundo o dicionário brasileiro Aurélio sobre “o que é Escravidão”:

  • Circunstância em que se encontra o escravo; condição da pessoa que serve; servidão: a escravidão é inconstitucional. 
  •  Governo ou sistema que se baseia na escravização de indivíduos; escravismo. Que se sujeita ou tende a se sujeitar a um poder arbitrário (déspota); sujeição: falta de liberdade.

PORÉM, TEMOS UM OUTRO PROBLEMA DE LEITURA!

A Escravidão não é apenas afirmada pela maneira abusiva a qual a relacionamos diretamente quando a remetemos ao passado. Ela está presente no nosso sistema de trabalho atual e precisamos atentar mais sobre ela, justamente com a intenção de modificarmos o cotidiano trabalhista e assim, darmos melhores condições de trabalho para todos:

Quando digo que a Escravidão está presente no nosso sistema de trabalho, quero afirmar que ela se enquadra na leitura de mais de 8 horas de serviços prestados, obrigando seus colaboradores a trabalharem (indiretamente) a mais do que o horário combinado, recebendo um pouco mais do que um salário mínimo por mês.

A diferença do cenário de 1888 para 2017 é que hoje temos o auxílio da internet, desenvolvida por uma geração de millenials que abomina qualquer forma de trabalho que possa prejudicar o ser. Ou seja, vivemos um cenário mais exposto e analítico, mas ainda assim, discreto quanto a aceitação do trabalho escravo.

Imagine você sendo um trabalhador de classe baixa, média-baixa ou até média, num país continental como o nosso Brasil, você inevitavelmente precisa pagar as suas contas e dar segmento para a sua vida. Por linhas gerais, essa é a realidade. O ponto chave desperta-se quando o indivíduo opta em aceitar um emprego que com as características já citadas a cima, o instigam a acreditar que ele não é capaz de conseguir algo melhor do que o que ele vive de realidade, que o seu emprego atual deve ser valorizado como única possibilidade, pois o mundo está muito duro e apertado com relação as oportunidades. Portanto, fazer parte da empresa você até já faz doando-se mais do que o necessário, mas não se engane, você é apenas um número, não um resultado significante. E é exatamente aqui que peço para refletirmos.

SOMOS NÚMEROS
X
SOMOS PESSOAS

Fomos os últimos no mundo todo a aceitar a libertação de pessoas como serventes, contando-as em ordem numérica com a intenção de ostentar a serventia, isso em 1888. Na atualidade (de 2017), os índices de grandes empresas listadas como as melhores para se trabalhar no Brasil (clique aqui), chocam quando nos deparamos com relatos de que a estimulação da dependência e a não integração de seus funcionários no plano de desenvolvimento integrado, é algo que preocupa a mim e certamente a toda geração Z. Afinal, nós queremos fazer parte do negócio, nos sentindo integrados a empresa e próximos do aprendizado, não da serventia numérica.

Se você faz parte de um local de trabalho que começou a adequar-se ao modelo “Google” de negócio, atente se o hype da sua empresa é realmente verdadeiro. Grandes corporações tem oferecido saída antecipada nas sextas-feiras (geralmente no meio da tarde) aos funcionários que trabalham em seus escritórios, mas os obrigando a pagar toda essa carga horário com horas extras ao longo da semana. Há ainda aquelas que liberam seus funcionários para o “home-office” na tentativa de mostrarem ao mercado que são hypadas… Mas atentem, elas exigem que os funcionários estejam disponíveis em suas telas para todo o momento de trabalho (as vezes maior do que se fosse na empresa) quando forem solicitados. Ou ainda, empresas varejistas com subcargos do subcargo para seus funcionários em áreas administrativas ou comerciais, que os incentivam a integrar suas funções (de modo numérico), alternando horários e carga-horária de trabalho como se o funcionário não tivesse vida. Novamente, essas empresas tornam por acabar influenciando e fazendo seus colabores a acreditarem que suas função é a única oportunidade de vivência dentro do mercado e que caso ele não queira fazer parte dela ele tem a opção de ficar sem nada pois a empresa é a única que lhes abriu as portas.

2017, EM QUE ERA VIVEMOS?

A era da relação. Venho falando muito e tendo um bom espaço para propagar interações sobre e com a Geração Z, o que me possibilita afirmar o quanto essa geração precisa (e quer) se relacionar com o mundo. Isso representa todo o novo olhar que nos próximos 10 anos vão estar integrados ao mercado mundial.

Portanto, pensar e propagar a intenção abusiva do trabalho, mantendo seus colaboradores como números e não como parte do sistema de modo real e justo (com boas condições de remuneração e aprendizado na empresa), registram no tempo o atraso em que a sua corporação ainda insiste em preservar.

Não adianta mentir midiáticamente sobre ser uma boa empresa, pois já sabemos da divisão de RH, e na maioria das vezes ela prioriza, disfarça, omite e reafirma dados falsos sobre como a empresa realmente é.


5 thoughts on “O NOVO MODELO DE ESCRAVIDÃO”

  1. É por todas essas questões que precisam ser fomentadas ações eficazes para a retirada de milhares de pessoas da situação de vulnerabilidade socioeconômica, maiores investimentos na educação, assim como uma real avaliação da eficácia da mesma.

  2. Certamente estamos muito longe dos modelos que as próprias empresas tentam pregar. O mais absurdo disso tudo é aceitarmos, ou nos conformarmos com essas situações. Ser mais humanizado é uma grand dificuldade humana, principalmente quando lucros estão envolvidos. Que a gente entenda que produtividade tem a ver com motivação e que esta última, por sua vez, precisa de tempo e espaço para existir.

  3. Boa reflexão amigo! É tão frustrante ver que nos dias atuais leis foram criadas não para nós proteger e sim para nós prejudicar como classe trabalhadora,e o quanto não fazemos parte de forma humana dos benefícios das empresas,e que em troca do trabalho exaustivo nem a questão financeira nem o descanso recompensa.

  4. Muito legal ver um tema tão importante sendo apresentado com tanta precisão. Concordo muito contigo com relação à vontade desta nossa nova geração de se sentir importante e relevante onde está e no que está fazendo. Os índices de depressão e suicídio aumentam e não por acaso. Em países com jornadas exaustivas, rotinas mais rígidas e este tratamento “apessoal”, estes números são ainda maiores e o impacto no psicológico destes colaboradores reflete em toda vida e relacionamento interpessoal.
    Precisamos falar sobre isso, mas com uma reforma trabalhista em tramitação e uma crise econômica que não oportuniza vagas para Estas pessoas exploradas é ainda mais difícil.
    É preciso conscientizar a todos sobre os seus direitos e deveres, sem desvios de função, aumento ou redução de carga horária e assim por diante. E matérias como esta são essenciais para isso. Parabéns!

  5. Que texto maravilhoso. Parei pra ler com calma e esse é um assunto tão atual e que deveria ser conversado e debatido DIARIAMENTE. Infelizmente é a nossa realidade.
    É triste ver como em alguns países como a Espanha, viver fica em primeiro plano. Existe ainda o ‘trabalhar pra viver’, e o ‘viver pra trabalhar’.

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