A DEMOCRACIA DA HIPOCRISIA

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Falar sobre corpo humano é algo que motiva incontáveis discussões desde o início dos tempos, pois nós enquanto homens temos dificuldade de aceitação do novo, e aqui você pode enquadrar o “novo” como o outro.

Quando penso na famigerada Democracia Hipócrita logo me questiono do porquê nos assustamos tanto com o corpo, nos exaltamos para falar dele ou ainda pior, para vê-lo se expressar enquanto voz. Isso não seria antidemocrático?  

É entendido e respeitado no mundo inteiro as culturas que bloqueiam as vozes exaltadas pelo corpo da mulher, seja com o véu, com a burca ou até mesmo, com o shortinho.

Em plena semana de Carnaval, a maior festa aberta do mundo, o Brasil voltou a questionar o corpo através de uma jovem representante da Geração Z, cuja conquista profissional ao longo de sua vida convidou o expectador à acompanha-la através das mídias de massa, vendo-a crescer, construir a já memorável carreira de atriz, namorar um grande herói nacional e agora, a obrigando à entrar na “ditadura da beleza” individual. O mais estranho é que em pleno país do carnaval mostrar o corpo e ainda por cima ele natural (entenda sem plásticas), tornou-se algo não entendido e tão pouco respeitado, pois a trataram como uma mulher vivida pra lá de 40 anos, como se fosse sua obrigação na casa inicial dos e poucos ter a “decência” do comportamento geracional que a geração X foi educada, querendo assim, que ela se enquadre num perfil velho de um mundo tão antigo que esqueceu o valor empático e significativo da palavra democracia.

Vivemos em uma fase delicada enquanto sociedade global, onde justamente a falta de empatia parece bloquear toda e qualquer inserção de bom senso com o próximo. Há quem duvide que as coisas possam melhorar, mas vocês sabem, podem calar a sonoridade da voz, mas o ser humano aprende a comunicar-se de outras formas. Os protestos pararam de ser apenas físicos para migrarem ainda na primavera árabe para o mundo on-line, num tempo onde não se compreendia que ambos os mundos (on-line e off-line) andariam grudados, ao ponto de conectarem-se como um só.

Se você enquanto marca não percebeu a forma questionadora que a GEN Z está querendo se expressar, você se enquadra na seletividade de informação. E ser seletivo em pleno 2018 não te faz diferenciado, te faz atrasado. A juventude do agora transita pela força de expressão, mas não de uma forma agressiva ou mesmo incisiva. Ela é responsável demais ao ponto de compreender o espaço do outro e principalmente, a importância da conexão dele com o todo (aka mundo).

Por ainda precisarmos falar sobre exposição do corpo, e não do quanto a fala dele representa, significa que ainda temos um bom trilhar de reflexões… Afinal, a hiprocrisia também pode ser democrática, você é quem pode escolher em qual posição vai querer estar.

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